Publicado por: Claudio Prandoni | 16/08/2010

O Livro do Cemitério

Neil Gaiman teve a história para escrever este livro lá nos idos de 1985, com inspiração nas histórias do Mogli no clássico “O Livro da Selva”, mas o resultado se aproxima mais do já clichê bruxinho Potter, de J.K. Rowling. A experiência é praticamente a mesma, só que condensada: passa mais rápido, mas nem por isso o impacto é menor. Ah, e como é de costume de Gaiman, flerta com o macabro e sinistro de forma hábil e quase aconchegante.

No lugar de Harry temos Nobody Owens, que vira órfão ainda bebê quando o misterioro e sombrio Jack mata os pais e irmã dele. O guri então é adotado por fantasmas e o misterioso vampiro Silas e passa a morar em um cemitério. Daí em diante a jornada de Bod se desenrola em capítulos, cada um retratando o menino em uma idade diferente, vivendo e aprendendo coisas diferentes. Não foge do padrão da jornada do herói: enfrenta dificuldades, aprende lições com  mentores, coloca esses poderes em prática, se apaixona, se decepciona e, por fim, vence um grande antagonista. Contudo, cada episódio é muito marcante e construído de maneira admirável, marcante, tornando um prazer acompanhar o crescimento de Bod.

Dentre todos os oito capítulos, acho o quinto (Danse Macabre, no original em inglês) o mais marcante. Apesar das semelhanças com Harry Potter e outras tantas histórias do gênero, Danse Macabre concretiza melhor a personalidade única de Bod e sua própria trajetória. Ainda que breve, o episódio narra de forma bonita e lúdica a relação entre seres humanos e a morte (personificada aqui como uma bela moça montada em um cavalo branco). Pena que nem toda a narrativa seja tão brilhante como neste ponto: geralmente, os começos de capítulo são um bocado enrolados e demoram demais a armar a trama. Mas é percalço menor e não tira a emoção da história de Bod.

Coisas legais
– Apesar de parecer uma história genérica de órfão que lida com poderes sobrenaturais, “O Livro do Cemitério” consegue ter estilo próprio graças à criatividade de Gaiman e a habilidade que tem de criar elementos macabros e igualmente fascinantes
– O capítulo 5 é realmente muito bom
– Apesar de ser apenas um único volume, o livro consegue passar fortes emoções

Coisas chatas
– Às vezes a história enrola demais para engrenar
– A maneira como o livro acaba dá vontade de que Gaiman escreva mais aventuras para Bod… mas parece que isso não vai acontecer tão cedo

O LIVRO DO CEMITÉRIO
Neil Gaiman
Páginas: 336

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Responses

  1. Você me deixou morrendo de vontade de ler o livro! Quer dizer, eu acho Harry Potter muito bom, e se a história é parecida e/ou pode ser comparada pra mim está ótimo – e em um livro só, melhor ainda para o meu bolso! 😉
    Acho que a história está em um livro só porque na época em que o Gaiman escreveu, não tinha toda essa pressão comercial de escrever livros em séries para ganhar mais, sei lá…

    Abraço!


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