Publicado por: Thaís Fonseca | 27/04/2010

Matias quer um Amigo

Desenhos com cara de rascunhos dão formas originais a uma topeirinha

Logo de cara, Matias parece um protagonista bem simpático. Primeiro por ser um filhote, desses curiosos e fofos que podem repetir a mesma pergunta sem parecerem chatos. Segundo por ser uma topeira, espécie pouco representada nas histórias infantis (os ratos geralmente roubam a cena) e bem conveniente ao estilo de Elma, a ilustradora pernambucada que assina também o texto, neste livro.

Os desenhos são o ponto forte da edição e tentam ser fiéis às caras reais de vários bichos, ao mesmo tempo em que trazem um ar de “rascunho”, com traços a lápis propositalmente marcados, dando um ar “sujinho” mas criativo à fábula. O corpo todo das topeiras são feitos destes “rabiscos” bem calculados e preenchidos, deixando um contraste colorido apenas no focinho cor-de-rosa.

Enquanto os desenhos mostram uma tentativa de sair do convencional, sobre o texto não se pode falar o mesmo. A história se calca em uma frase que a autora ouviu de uma de suas filhas: “Onde posso conseguir um amigo?”, colocada na boca do protagonista. Com esta questão na cabeça e pouco satisfeito com as respostas da mãe, do pai e do avô, o filhote sai para o jardim tentando encontrar um amigo. Logo sabemos que o jardinzinho florido e bucólico está ligado a uma floresta onde vivem jacarés, macacos, veados, jaguatiricas e mais bichos. O protagonista vai conhecendo um a um a partir da mesma pergunta, mas ao invés de uma resposta encontra apenas a boa-vontade dos animais em lhe dar uma carona.

O problema é que o contato breve e as frases vagas dos personagens que conhece – algo como “há amigos no outro lado da montanha” – deixam a saga da toperinha pouco emocionante e parecem apenas detalhes para a resposta moralizante da arara, a única a arriscar uma ideia. Ideia, inclusive, que tenta dar uma definição bonita, mas passa longe da complexidade do assunto. Neste ponto, a saga de “Cafune e Pena-de-Prata” parece ir mais longe ao contar a história de dois amigos pintinhos que, em buscar de liberdade, descobrem com acertos e erros como é uma amizade.

Coisas legais
– Ilustrações ótimas sobre a família de toupeiras e os demais bichos
– O protagonista faz parte de uma simpática família de toupeiras

Coisas chatas
– A lição sobre amizade acaba sendo certinha e moralizante demais

MATIAS QUER UM AMIGO
Escrito e ilustrado por Elma
30 páginas
Editora Larousse Júnior

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