Publicado por: Thaís Fonseca | 01/02/2010

Cafute e Pena-de-Prata

Pintinhos buscam liberdade em conto infantil de Rachel de Queiroz

As personagens deste livro infantil da Rachel de Queiroz são aves mas, como acontece nas boas fábulas, poderiam muito bem ser substituídas por pessoas. O conto gira em torno de dois pintinhos nascidos em circunstâncias sociais diferentes e descritos como “pinto-de-pobre” e “pinto-de-rico”. O pobre é Cafute, “pequeno e implicante”, nascido num ninho de palha e criado solto, num galinheiro onde aprendeu cedo a “lutar pela vida”. O segundo é o órfão Pena-de-Prata, nascido numa chocadeira-elétrica, que recebia água e comida na boca, mas se sentia muito sozinho. As diferenças não impedem que fiquem amigos e em meio a uma conversa aborrecida sobre seus galinheiros imaginam que ali, além de viverem pouco felizes, terão um fim um tanto cruel, seja nas mãos de um frigorífico ou de uma cozinheira.

Angustiados com o destino que os espera, decidem fugir juntos pelo mundo sem saber para onde ir, à procura de fartura e liberdade. As dificuldades não demoram a aparecer. Em busca de minhocas para comer, eles interagem com outros pássaros que encontram em seus caminhos, nem sempre tão receptivos. Mesmo criados para dar “suporte” à história, estes “coadjuvantes” são apresentados de forma crítica pela autora, sem sair da linguagem infantil. Além de um galo criado apenas para brigar e de pombos-correio que só pensam em trabalho, os pintinhos encontram em suas andanças um papagaio preguiçoso e “puxa-saco” dos homens, que prefere entregar os bichos para o maltrato a perder seus privilégios: “O bom mesmo é engordar enquanto se pode, contar umas lorotas para iludir o dono e ganhar ração melhor…”, diz o papagaio.

Nesta trajetória edificante, a autora conta uma história a favor da “busca pela liberdade”, mas não dá uma conclusão fechada sobre o que isto significa. Ao contrário, os personagens vão perceber que, apesar da amizade, há momentos em que cada um precisa agir de um jeito. Mesmo sendo mais conhecida
por seus trabalhos adultos (“O Quinze” e “Memorial de Maria Moura” são destaques), Rachel mostra que acerta a mão ao escrever para crianças (ela chegou a vencer um Jabuti por outro infantil, “O Menino Mágico”) e que continua atual na 9ª edição (de 2004) desta história, lançada pela primeira vez há mais de vinte anos.

Coisas legais

– O texto é muito bom e os personagens bem construídos
– A história tem um tom crítico ao descrever os “coadjuvantes” encontrados pelos dois pintinhos no caminho. Mas isto sem perder o tom
infantil

Coisas chatas

– Nada. A história vale a pena

CAFUTE E PENA-DE-PRATA
Autora: Rachel de Queiroz
Ilustrações: Maria Eugênia
Editora: Caramelo
38 páginas

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Responses

  1. […] dar uma definição bonita, mas passa longe da complexidade do assunto. Neste ponto, a saga de “Cafune e Pena-de-Prata” parece ir mais longe ao contar a história de dois amigos pintinhos que, em buscar de liberdade, […]

  2. […] dar uma definição bonita, mas passa longe da complexidade do assunto. Neste ponto, a saga de “Cafune e Pena-de-Prata” parece ir mais longe ao contar a história de dois amigos pintinhos que, em buscar de liberdade, […]

  3. esse livro faz agente refletir um pouco, sobre nossa vida.


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