Publicado por: Claudio Prandoni | 04/09/2009

“A Bússola de Ouro”

bussoladeouro_capaClímax empolgante recompensa início bocejante

Primeiro volume da trilogia Fronteiras do Universo (His Dark Materials no original), de Philip Pullman, “A Bússola de Ouro” apresenta uma protagonista que foge de clichês da literatura fantástica infanto-juvenil. O cenário é um mundo similar ao nosso, diferenciado principalmente pelo fato de que cada pessoa possui um daemon, criatura ligada emocionalmente à pessoa que de certa forma simboliza a alma do indivíduo.

A heroína é Lyra, uma linda garotinha britânica extremamente serelepe e arrogante. Arteira e curiosa, se envolve em confusões do barulho – como já seria de se esperar – que a levam a um conflito de conseqüências épicas. No caminho, figuras marcantes como a obstinada vilã Sra. Coulter, o enigmático Lorde Asriel e o impressionante urso polar Iorek Byrnison, que alterna momentos nobres com selvageria pura. Personagens não lá muito criativos, mas bem construídos e memoráveis.

A narrativa peca por um ritmo extremamente arrastado no começo que pode desanimar muitos, mas a paciência é compensada nos últimos capítulos, marcados por uma sequência frenética de eventos empolgantes e cenários fantásticos – como uma perseguição em uma montanha de gelo com o céu tomado pelas cores da Aurora Boreal. Além disso, a protagonista passa por um emocionante aprendizado que a faz amadurecer, revertendo totalmente a apatia inicial que ela causa. O final não foge do padrão de outras trilogias: deixa uma brecha imensa para o próximo capítulo. Ainda assim, a satisfação ao fim de “A Bússola de Ouro” é grande para aqueles que vencerem a monotonia do início.

Coisas legais
– Os lugares onde a história se desenrola, principalmente no final
– As personalidades fortes e marcantes dos personagens

 

Coisas chatas
– Narrativa lenta e pouco empolgante nos dois primeiros terços do livro
– A protagonista é extremamente antipática no começo da história

A BÚSSOLA DE OURO
Autor: Philip Pullman
Editora Objetiva
368 páginas

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Responses

  1. Mas sabe que eu gosto dessa coisa de personagens que são chato no começo? É que isso meio que mostra como a gente pode ser conduzido e até manipulado pela leitura né? Claro, quando isso é feito de maneira consciente…afim de mostrar que o personagem evoluiu…e tals
    Fiquei curiosa (também! rs) com este livro…acho que o contato com a turma do blog me despertou o interesse por coisas mais lúdicas e fantasiosas…ai meu deus, onde vou parar!?

  2. Eu li esse livro 3 vezes antes de chegar ao final. Na primeira, parei lá pela página 120, na segunda até a 140 e só na terceira até o fim. De fato, a qualidade e consistência que a trama toma no final é incrível. Ainda não terminei o terceiro livro da série por preguiça, mas o que mais gostei até agora foi A Faca Sútil, que não sofre dessa coisa da narrativa arrastada e tem um ritmo frenético do começo ao fim.


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